Do Nordeste para o design brasileiro

A Matulão nasceu em 2014, no Ceará, do desejo de criar algo que carregasse nossa origem sem precisar reproduzi-la de maneira óbvia. Desde o início, buscamos construir uma linguagem própria, capaz de aproximar o fazer artesanal nordestino do design brasileiro contemporâneo.

Nossa história começa com o couro.

Um material profundamente ligado à cultura e à paisagem do sertão, trabalhado há gerações pelas mãos de mestres coureiros, seleiros e artesãos. Foi a partir desse universo que começamos a desenhar nossas primeiras bolsas e a compreender aquilo que, anos depois, se tornaria uma das ideias centrais da Matulão: olhar para o lugar de onde viemos não como limite, mas como ponto de partida.

 

PRIMEIRAS BOLSAS

 

Com o tempo, o couro encontrou a madeira. Depois vieram a palha de carnaúba, o linho, a lona, o ferro e tantos outros materiais.

Passamos a experimentar encontros pouco convencionais, explorando texturas, volumes, encaixes e formas. Portas e janelas antigas puderam se transformar em partes de uma bolsa. A madeira reaproveitada deixou de ser apenas matéria-prima para assumir protagonismo no desenho. As marcas, os veios e as pequenas diferenças de cada pedaço passaram a fazer parte da identidade das peças.

 

talha

 

Assim, pouco a pouco, construímos uma linguagem que hoje reconhecemos como nossa.

 

UMA MARCA FEITA NO NORDESTE

A Matulão cresceu no Ceará, mas nunca quis limitar sua identidade a uma representação literal do Nordeste.

Nossa relação com esse território está na maneira como fazemos.

Está no respeito à matéria, no conhecimento transmitido pelas mãos, na capacidade de transformar o que existe ao redor, na inventividade e na permanência.

Há também uma memória pessoal nessa origem. Nossa história familiar atravessa o interior do Ceará, a Caatinga e lugares como Várzea Alegre. Elementos desse território, como a carnaúba — conhecida como árvore da vida pela multiplicidade de seus usos — ajudaram a formar nosso repertório e nossa maneira de enxergar o design.

 

Somos uma marca nordestina porque é daqui que observamos o mundo.

E é daqui que queremos participar da construção do design brasileiro.

 

DO CEARÁ PARA O MUNDO

A Matulão cresceu sem abandonar o lugar de onde veio.

Nossas peças começaram a circular pelo Brasil e, depois, atravessaram fronteiras.

Participamos de experiências e apresentações que levaram nosso trabalho a cidades como Paris, Barcelona e Chicago, colocando um design concebido no Ceará em diálogo com diferentes públicos e territórios.

 

 

No Brasil, vieram novos encontros com a moda, o design e a cultura.

A marca participou do Rio Fashion Week e passou a integrar importantes espaços de curadoria e discussão sobre uma produção feita fora dos centros tradicionalmente associados à moda nacional.

A aproximação com iniciativas como o Nordestesse, idealizado por Daniela Falcão, reforçou algo em que sempre acreditamos: existe um design contemporâneo potente sendo produzido no Nordeste, com linguagem própria e capacidade de dialogar com o Brasil e com o mundo.

 

 

MATULÃO EM CENA

Com o passar dos anos, nossas bolsas também começaram a contar histórias fora das nossas mãos.

Elas chegaram à televisão e passaram a integrar figurinos de produções nacionais.

Peças da Matulão estiveram presentes em novelas como Renascer, Rancho Fundo, Vale Tudo, Dona de Mim e Nobreza do Amor, levando para a televisão brasileira objetos desenhados e produzidos no Nordeste.

 

Novela Renascer - 2024

 

Novela Rancho Fundo - 2024

Novela Vale Tudo - 2025

 

Novela Dona de Mim - 2025

 

Novela Nobreza do Amor - 2026

 

 

Também tivemos a alegria de ver nossas criações sendo escolhidas e usadas por mulheres que admiramos, entre elas Fátima Bernardes, Maju Coutinho, Ivete Sangalo, Fafá de Belém, Fernanda Paes Leme e Erika Januza.

 

Mais do que a presença de uma bolsa, cada uma dessas aparições significou para nós a circulação de uma história.

Uma peça que começou como desenho no Ceará passou a ocupar outros lugares, outras cidades e outras narrativas.

 

DESIGN, ARQUITETURA E REPERTÓRIO

À medida que a Matulão amadureceu, nossas referências também se ampliaram.

O sertão continuou presente, mas passou a conversar cada vez mais com arquitetura, mobiliário, arte popular, arte sacra e diferentes manifestações da cultura brasileira.

Nos interessa aquilo que atravessa o tempo. A simplicidade das formas, a honestidade dos materiais, as soluções encontradas pelo fazer popular e a capacidade brasileira de transformar matéria em objetos carregados de identidade.

Esse repertório não aparece em nossas peças como reprodução ou ornamento. Ele é ponto de partida para novas formas, proporções e encontros.

É dessa mistura entre memória e contemporaneidade que continuamos construindo nossa própria linguagem.

RECONHECIMENTO

Em 2026, essa trajetória ganhou mais um capítulo importante.

A Matulão chegou à final do FFW Brasil Fashion Award, na categoria dedicada ao design de bolsas e sapatos.

Para uma marca que começou no Ceará experimentando couro, madeira e possibilidades, estar entre os finalistas de uma premiação nacional de moda representa muito mais do que reconhecimento.

Representa a confirmação de que é possível construir uma linguagem própria a partir do Nordeste e participar, com ela, da conversa sobre o design e a moda brasileira contemporânea.

 

 

FEITAS PARA PERMANECER

Depois de todos esses anos, muita coisa mudou.

As formas mudaram. As coleções mudaram. Novos materiais chegaram. Novos lugares se abriram para o nosso trabalho.

Mas algumas coisas permaneceram.

Continuamos acreditando no fazer à mão.

Continuamos interessados nas marcas da matéria.

Continuamos desenhando a partir do Ceará.

E continuamos acreditando que um objeto não precisa nascer para acompanhar uma tendência e desaparecer junto com ela.

Produzimos em pequena escala porque queremos preservar aquilo que existe de humano em cada peça. Trabalhamos com materiais como couro e madeira porque gostamos da maneira como eles atravessam o tempo, ganham marcas, mudam e contam histórias.

Não buscamos a perfeição industrial. Buscamos precisão sem apagar aquilo que torna cada matéria única.

Por isso, duas Matulão nunca serão absolutamente iguais.

Um veio muda.

Uma tonalidade muda.

Uma marca da madeira aparece onde não existia na anterior.

E é justamente aí que mora parte da beleza.

 

MATULÃO

Hoje, quando olhamos para trás, enxergamos muito mais do que uma sequência de bolsas.

Enxergamos uma história construída entre pessoas, materiais, lugares e encontros.

Do primeiro pedaço de couro às passarelas.
Do Ceará a Paris, Barcelona e Chicago.
Da oficina à televisão brasileira.
Do desenho às mãos de quem faz.
Das primeiras bolsas ao reconhecimento nacional.

Mas talvez a conquista mais importante seja ainda poder reconhecer, em cada nova peça, aquilo que nos fez começar.

A Matulão é design brasileiro feito no Nordeste.

Um design que conhece sua origem sem permanecer preso a ela. Que encontra no artesanato não uma estética, mas uma forma de construir. Que acredita na matéria, no tempo e nas mãos.

Desde 2014, fazemos objetos para acompanhar histórias.

Objetos feitos para permanecer.